terça-feira, 16 de março de 2010

resquícios de luta

Não basta que seja pura e justa a nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.

Dos que vieram e conosco se aliaram
Muitos traziam sombras no olhar
e intenções estranhas.

Para alguns deles a razão da luta
Era só ódio: um ódio antigo
Centrado e surdo
Como uma lança

Para alguns outros era uma bolsa
Bolsa vazia (queriam enchê-la)
Queriam enche-la com coisas sujas
Inconfessáveis.

Outros viemos.
Lutar para nós é ver aquilo
Que o Povo quer realizado.

É ter a terra onde nascemos.
É sermos livres pra trabalhar.
É ter para nós o que criamos
Lutar para nós é um destino –
É uma ponte entre a descrença
E a certeza do mundo novo.

Na mesma barca nos encontramos.
Todos concordam – vamos lutar.

Lutar pra quê?
Pra dar vazão ao ódio antigo?
Ou pra ganharmos a liberdade
E ter pra nós o que criamos?

Na mesma barca nos encontramos
Quem há de ser o timoneiro?
Ah as tramas que eles teceram!
Ah as lutas que aí travamos!

Mantivemos-nos firmes:no povo
Buscáramos a força
E a razão.

Inexoravelmente
Como uma onda que ninguém trava
Vencemos.
O Povo tomou a direção da barca.

Mas a lição está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa
A nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça
Existam dentro de nós.

(Do povo buscamos a força - Antônio Agostinho Neto,poeta angolano)

Um comentário:

  1. muito bom déa! sem palavras. coisa pra guardar numa caixinha e dar de presente pros futuros filhos..

    ResponderExcluir

toda ouvidos