segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

don't look


No olhar que me procura
Já não sou mais eu
Me sinto desnuda, desprotegida
Acariciada,
Meu olhar já não diz nada
Não quer dizer
Só quer apreciar,sentir
Meus poros me retribuem a sensação
Do que meus olhos vêem
Me jogo no vão,
me sinto em meio à água
Nadando em direção oposta
Já não sei a direção
do olhar que me atrai,
nem quero saber.
Viver é mais urgente,
que tentar entender.

Itinerante

Se há a branca luz solar
- aprecio o colorido das flores.

Se há os pardais e o seu canto
- degusto as notas de louvor ao dia.

Se há uma quietude nos eventos
- louvo a fortuna da ausência de novidades.

Nenhum desiderato desassossega minha alma.

(Canto do harpista, Márcio de Lima Dantas)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

vida besta


O Sol me desperta

Vento refresca

Amor me move

A saudade dá forças

A alegria mora em mim

Solidão um bem necessário

Família minha raiz

A música faz transceder

Amigos são tantos e tão poucos,

Mas sempre suficientes,eles são suporte

Cinema minha adorável paixão

Natal meu paraíso

E a vida, um perfeito milagre

Obrigada cara,

Ou quem quer que tenha me dado tudo que tenho

Sou-lhe humildemente agradecida,

por cada milésimo de segundo,

Do que chamo Vida.


"Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras

mulheres entre laranjeiras

pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.

Um cachorro vai devagar.

Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.

Eita vida besta, meu Deus."


(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


Os seres perfeitos me enchem de medo.
Prefiro os fracos que vivem no limite e ainda assim não se entregam nunca.
Gosto dos solitários que enlouquecem de hora em hora,
no seu tempo sempre maior que o de toda gente.
Prefiro os sonâmbulos que se rrebentam em paredes de solidão em suas noites vagas,
mas acordam todos os dias.
Concordo com os amantes clandestinos que se dilaceram em sua saudade nunca desfeita,
do amor interrompido, apesar da hora sempre marcada.
Prefiro os tristes que vivem dentro si e engolem suas dores em mudez e pranto.
Aceito os que nada sabem de limites e entregam suas mãos e o peito a toda loucura,
perdendo-se e ainda assim, nunca desistem da eterna procura.
Gosto dos que vivem por um fio, os de alma inquieta que, sem remorso,
fragmentam a virtude e riem do equilíbrio.
Procuro os exaltados que agridem o bom senso sem graça e sem vida,
mesmo se cortando em cacos.
Prefiro os estropiados do amor com suas asas alvejadas,
rasgadas e sujas de tanto amor,
mesmo que só a indiferença seja seu alento e ainda assim, tentam voar.
Procuro os sonhadores sem remédio esquecidos da terra em que pisam
e ainda assim constroem pedaços de paz.
Gosto dos desesperados, sem fé, sem credo, sem templo,
que investem no pescoço da submissão e a degolam.
Não, não quero os seres perfeitos, donos da vitória e da vida.
Estes estão todos mortos.

(Saramar Mendes)