quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

guardado


Samenina tinha uma péssima mania: guardar.Guardava desde sorrisos como enquadrados num quadro e armazenava num dos arquivos da sua mente.Sua imensa biblioteca pessoal, além de papéis, caixas, bilhetinhos, pensamentos, melodias. E seu quarto se tornara aquele monte de caixas, com notas, pedrinhas, conchas. Ela tinha uma mania de refletir na praia, e sempre guardava uma pedrinha que simbolizava tudo que traçara para si mesma, e embaixo da cama tantas caixas e manuais de instrução, certa dificuldade de entendê-los mas todos ali, amontoados sob sua cama. Necessidade de se desfazer daquilo tudo como de se desfazer de seus pensamentos bobos que faziam dela Samenina menina distraída com um mundo da lua que ela criara e do qual não conseguia sair.Senti-se sempre tomada por essa mágica, vontade de descobrir os segredos guardado na caixa de pandora. Seu mundo se misturava sempre a cenas psicodélicas que ela via nos filmes que tanto gostava, via pessoas ao seu redor como estrelas num filme que alguém tivesse esquecido de escrever e guardara para daqui a muitos anos alguém poder ver e admitir: que historinha mais engraçada. Samenina ao menos sabia quantos anos tinha, guardara em alguma arquivo perdido de sua mente de cobrinhas coloridas psicodélicas esvoaçantes.

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