sexta-feira, 31 de julho de 2009

Noutras férias

Noutras férias eu costumava ser criança

Tomar banho de rio, comer frutas silvestres com os meninos

Eu sempre andava na companhia deles, os menininhos danadinhos, primos

Nossas aventuras diárias se resumiam a exploração de um transparente rio,

E passeios pelo sítio em busca d’alguma fruta gostosa de se comer,

Provar os sabores, sentir os odores, purificar o pulmões com os gostos e cheiros da natureza.

Jogar futebol, vôlei na areia, quebrar castanha,comer quente

Quente dá dor de barriga, vovó gritava.

E a noite sob a luz das lamparinas, ver a lua cheia iluminar a natureza

e o céu a formar figuras nas estrelas

contar e ouvir estórias de lobisomens e mães dágua,

Ficar com medo, dormir cedo, acordar cedo.

Rotina de viver no meio do mato,

E ser chamado pra refeições com o tilintar de um insistente sininho.

Eramos ovelhinhas desgarradas e bem cuidadas,

Da vovó Neury.


Faço minhas as palavras de Zélia Duncan referindo-se à sua amiga Cássia Eller num show em Recife:

Ela é uma ausência absurda!



segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pudera ser pássaro


Não eu não sei voar
E por mais que eu pense não saio do lugar,
Na minha mente pessoas embaralhadas,metas,sonhos e incertezas
Incerteza do futuro e o presente a me devorar
Presenças constantes,amizades novas, antigas
Dúvidas, insatisfação,vontade de ser pássaro.
Crescer ás vezes dói, angustia mas não mata,
Fortalece.
Vontade de gritar bem alto MERDA e rir novamente,
Dessa minha eterna,insistente e humilde felicidade...

terça-feira, 21 de julho de 2009

butterfly


Perdida em meio ao jardim
Segue os rastros e se deleita
E mais uma flor nasceu
Seu cheiro exala tao intensamente
que invade tudo.
Sabe que é flor,
e vive assim.
Cercada de cheiros,
pessoas,
sorrisos,
e futuro.

domingo, 19 de julho de 2009

Ipueira


Cidade pequena, acolhedora de um povo tranqüilo e alegre onde a rotina interiorana de vizinhança conversando na calçada torna fácil as relações e a calmaria dos encontros na praça sem se preocupar com a violência torna fácil a amizade.Crianças cativantes e cheias de verdade no olhar, terceira idade cheia de vida, juventude serena tomando consciência de sua identidade. Cultura rica de doces,artesanato e vasos de barro, herança vinda de três gerações. Povo simples. Cidade de dias quentes, noites frias, passarinhos a pousar os fios dos postes e o galo a cantar no nascer do dia.Cidade sem rádio mas com a comunicação feita em caixas de som da igreja onde a moça anuncia a presença do oftalmologista.Povo alegre onde todo dia parece domingo e eles passam devagar.Devagar ela caminha e vai longe,Ipueira de crianças, pés de limão por ruas largas e tranqüilas onde o principal meio de transporte são motos por todos os lados.Ipueira do sorvete na esquina e do mercado Macedão, do olho d´água e da natureza esplêndida.Cidade pequena e rica em coisas simples, já faz parte das boas memórias que guardo de minha vida.Obrigada Ipueira querida, és uma flor pequenina e bela em meio ao quente Seridó.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

vício

Nos dias de hoje, com tantos artifícios, é quase improvável que uma pessoa não tenha vícios. No entanto analisando-me descubro que posso substituir um vício por outro, tudo depende apenas da minha imaginação. Parei de fumar, e quando sinto vontade ou como uma coisa doce ou bebo alguma coisa. Posso ouvir uma música, ler alguma coisa ou apenar pensar... Pensar, atitude livre que te dá o direito de colocar na sua mente o que você quiser. Escolho pensar e esse simples ato me satisfaz, escrevo, como forma de me sentir completa e em sintonia com tantos pensamentos desconexos.Durmo, acordo,cuido da casa, escuto música, penso, as músicas estimulam o pensar.Convivo socialmente, apesar de menos do que eu gostaria.Desejo de apertar um botão, tomar uma substância que fosse capaz de não me fazer pensar. Pensar demais ás vezes me destrói, preciso agir, viver , sentir e a isso me proponho. Ás vezes desejo não ser eu e não viver neste mundo, para não ter que estar vivendo um momento tão maravilhosamente transitório. Sim posso substituir meus vícios depende do que me estimule a fazer isso, sim posso ser uma pessoa melhor simplesmente por me amar e querer ser cada dia MELHOR. Se eu vivo num mundo capitalista opto por não aumentar mais os bolsos da Sra. Souza Cruz, preencho meus vazios de outras maneiras.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sorria


Sorria, embora seu coração esteja doendo
Sorria, mesmo que ele esteja partido
Quando há nuvens no céu
Você sobreviverá...

Se você sorri
Com seu medo e tristeza
Sorria e talvez amanhã

Você descobrirá que a vida ainda vale a pena se você apenas...

Ilumine sua face com alegria
Esconda todo rastro de tristeza
Embora uma lágrima possa estar tão próxima
Este é o momento que você tem que continuar tentando
Sorria, pra que serve o choro?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas...

Chorus

Se você sorri
Com seu medo e tristeza
Sorriso e talvez amanhã
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas Sorrir...

Este é o momento que você tem que continuar tentando
Sorria, pra que serve o choro
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas Sorrir

(Smile - predileta de Michael Jackson)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Soneto de espera


O verde obstinara-se em teus braços
em mim compôs apenas superfície
de tempo, de que és vértice: nasceste
na tessitura frágil das lembranças.

Carregados teus pés se justapõem
às andanças, maduros de certezas
que tuas mãos colheram, na visão
das auroras caídas sobre a mesa.

Verde, esse teu aliciando ventos
sugere uma esperança vespertina
entre os vão paralelos das estrelas.

Comigo - claro escuro - o tempo estaca
se verde o sol me abriga, definindo-te
cada vez mais tranquilo de mistérios.

(Zila Mamede)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Desapego

Naquele dia ela acordou querendo desapegar, diziam que isso era bom ás vezes, ela entendia essa expressão como uma forma de não dar tanta importância para as coisas. Uma maneira de reciclar a alma colocando pra fora tudo que pudesse ser desnecessário para seu crescimento. Ela já havia tentado de tudo, numa semana planejava e tudo acontecia diferente, noutra resolvia que era melhor deixar as coisas acontecerem, nada acontecia, quem sabe se ela remexesse tudo dentro dela e o fato organizar seu quarto fosse uma maneira de ela ficar leve e conseguisse a tão almejada façanha de desapegar. Mexeu papeis, viu fotos, releu bilhetes, cartas e depois colocou todos de volta em sua devidas caixinhas, ela não conseguia se desfazer delas, para ela tinham um valor inestimável e faziam parte do que ela era. Guardou as caixinhas jogou o que podia no lixo, e sentiu-se um pouco mais limpa de todos aqueles papéis. Fez um bloco de papéis usados e colocou na escrivaninha, papel branco era para ela um tipo de vicio, ela precisava tê-los sempre por perto, que o que ela não vivia, escrevia. Além de dados que ela tinha a mania de anotar como nomes de filmes, livros, cantores, artistas, endereços eletrônicos, pensamentos idiotas. Ela resolveu controlar seus pensamentos, não queria mais pensar em ninguém, passou a só pensar em agir em beneficio próprio, ver filme, ler, estudar, escrever, sair, beber, fumar, dormir acordar, almoçar,internet, precisava ir a praia ia, queria ir pra pipa iria, consumiria o mundo inteiro,fez com a amiga a terapia de elaborar uma lista de prioridades do que deveria ser feito de imediato para tornarem suas vidas melhores.A amiga dá início à lista postando sua primeira prioridade: Acordar ás sete.Eu acordo as oito, disse ela e enumerou mais pelo menos 11 prioridades.Foi dormir pouco mais da meia noite, acordou ás 10h da manhã com o telefonema da amiga, o despertador tocou e ela não ouviu,era uma fracassada em fazer planos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Intrigante


"Do amor, só tive sua sombra, sim.
Na verdade, a sombra de uma sombra... como o reflexo de um lírio em um lago.
Não parado, mas agitado pela ondulação da água.
E assim o reflexo fica deformado...
e não é mais o seu."


"Querer não é se expandir pela força.
É se recolher para si...
pouco a pouco, pela eternidade"

(trechos do pensamento-fala de Marie)